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Da ficção climática à esperança ativa: Mariana Brecht leva a urgência ambiental e novos imaginários de futuro para a Flip

Mariana Brecht leva a urgência ambiental e novos imaginários de futuro para a FLIP A crise climática se tornou uma realidade incontornável do nosso tempo. D...

Da ficção climática à esperança ativa: Mariana Brecht leva a urgência ambiental e novos imaginários de futuro para a Flip
Da ficção climática à esperança ativa: Mariana Brecht leva a urgência ambiental e novos imaginários de futuro para a Flip (Foto: Reprodução)

Mariana Brecht leva a urgência ambiental e novos imaginários de futuro para a FLIP A crise climática se tornou uma realidade incontornável do nosso tempo. Diante de termômetros batendo recordes e da frequência cada vez maior de fenômenos extremos, a literatura surge não apenas como um registro do colapso, mas como uma ferramenta de sobrevivência e imaginação. É com essa proposta que a escritora, roteirista e designer de narrativa de jogos digitais Mariana Brecht, de 35 anos, participa da Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP). Natural de São Roque (SP), a autora integra a edição de 2026 da Flip, que segue até este domingo (26). Na quinta (23), ela foi uma das convidadas da mesa “Fogo e terra: a literatura climática no palco”. Finalista dos prêmios Jabuti e São Paulo de Literatura, Mariana espera que o debate ambiental contamine positivamente todo o evento. 📲 Participe do canal do g1 Sorocaba e Jundiaí no WhatsApp "Minha expectativa para a Flip é que a crise climática seja um tema que ganhe bastante destaque. Desejo que esse assunto tangencie e atravesse várias outras mesas e conversas, porque, a cada ano que passa, fica mais difícil ignorar a crise climática", afirma a autora. Escritora, roteirista, narrative designer de jogos digitais e pesquisadora Mariana Brecht, de 35 anos Divulgação/Caio Kenji A potência da ficção climática brasileira O termo Climate Fiction, ou Ficção Climática em português, tem ganhado força nos principais mercados editoriais do mundo. No entanto, escrever a partir da perspectiva brasileira traz uma intensidade particular, já que o país ocupa o epicentro do debate ecológico global. Mariana aponta que a literatura nacional se desenvolve em meio a uma encruzilhada de cenários complexos. "Fazer parte desse movimento é uma experiência muito intensa, como todas as experiências brasileiras. Quando falamos de crise climática, temos um espectro imenso de situações nas quais nos inspiramos. Ao mesmo tempo, acredito que a ficção climática vem acompanhada da responsabilidade de fomentar imaginários de futuro atravessados pela crise, porque ela já é uma realidade", comenta. Apesar do cenário alarmante, a autora destaca que o Brasil também oferece grandes tecnologias de cura e sobrevivência que servem de combustível para suas páginas. "A ficção climática pode apontar caminhos. No Brasil, temos os povos indígenas e comunidades quilombolas como inspirações, além de movimentos sociais, como o MST." Amor e 'solastalgia' na próxima década Livro 'Foi Acabar Bem na Nossa Vez' Divulgação/Caio Kenji Em seu romance voltado ao público adulto, "Foi Acabar Bem na Nossa Vez", Mariana optou por não empurrar a narrativa para uma distopia distante. A trama se passa no interior de São Paulo em meados da década de 2030. LEIA TAMBÉM ENTENDA O CONCEITO: Autor de Sorocaba lança primeiro 'romance lean' do Brasil retratando liderança e gestão de pessoas LEI DE INCENTIVO À CULTURA: Projeto de orquestra popular busca apoio para oferecer formação musical gratuita em Mairinque VEJA O VÍDEO: Cacau Park divulga imagens de primeira área temática pronta em parque de diversões de Itu A intenção da escritora foi criar uma história em que os personagens lidam com as consequências práticas da crise ambiental em um cenário quase contemporâneo, mostrando ao leitor que o problema já não pertence a um futuro remoto. O livro explora o conceito de solastalgia, termo que define a angústia ou o luto causados pela transformação destrutiva do ambiente em que vivemos. Na história, a autora costura esse sentimento coletivo com as dores íntimas de um reencontro amoroso. "A solastalgia é um sentimento de luto pelo meio ambiente que acaba destruído. Fiz um paralelo com o personagem perdendo a própria casa, que se torna um território de especulação imobiliária. O livro, apesar de ser sobre a crise climática, também é uma obra de reencantamento com o mundo e com o território", conta Mariana. Do Cyberpunk ao 'Cyber PANC' Livro 'Cyber PANC e Só Zé' Divulgação/Caio Kenji Já na literatura infantojuvenil, com a aventura "Cyber PANC e Só Zé", Mariana subverte o tradicional pessimismo tecnológico do gênero cyberpunk para propor uma cidade de São Paulo reorganizada após o auge do colapso ecológico. A inspiração veio de suas próprias caminhadas pela capital paulista, misturando referências de teóricos da agroecologia com uma pesquisa prática sobre Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANCs). "O trocadilho com o nome do livro faz alusão aos movimentos tecnológicos e distópicos, eu quis criar uma outra realidade. Nessa história, a tecnologia é realmente importante porque constrói uma relação harmônica entre as pessoas e a natureza, onde os seres humanos se veem como parte do meio ambiente", compartilha. A fluidez dos games nas páginas Além da literatura tradicional, a trajetória de Mariana Brecht é fortemente marcada pelo ambiente digital. Ela integrou a equipe de roteiristas de "A Linha", produção em realidade virtual que faturou um prêmio Emmy. Essa bagagem multidisciplinar molda diretamente a forma como ela constrói seus livros. A técnica de world building, construção de universo, comum no desenvolvimento de jogos imersivos para fazer com que o jogador queira passar mais tempo dentro daquela realidade, também foi transportada pela autora para criar cenários ricos em suas páginas. Escritora, roteirista, narrative designer de jogos digitais e pesquisadora Mariana Brecht, de 35 anos Divulgação/Caio Kenji Diante de um fluxo contínuo de notícias alarmantes sobre o clima, as obras de Mariana não se apoiam em um otimismo ingênuo, mas sim no conceito de "esperança ativa" e no ato de "esperançar" proposto por Paulo Freire: uma força motriz construída por meio de gestos práticos e coletividade. "Sempre falo que os meus livros são obras que prezam por uma esperança ativa, que acaba virando um movimento que se retroalimenta", finaliza a escritora. *Colaborou sob supervisão de Eric Mantuan Veja mais notícias da região no g1 Sorocaba e Jundiaí Initial plugin text VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM